Escola Secundária de Caneças, Odivelas
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publicado por 10ldesign2008, em 18.03.09 às 22:13link do post | favorito

Máquina a Vapor - Em 1765 James Watt inventa a máquina a vapor, é o começo de uma era titânica que caracterizará as sociedades modernas, ferindo a produção artesanal com o estigma económico do subdesenvolvimento.

 

Sistema Económico - Com os engenhos mecânicos incrementou-se a exploração mineira do carvão e a produção do ferro e do aço. Estabeleciam-se as condições da produção industrial em massa. Surgiam novos sistemas de transporte mais rápidos como a locomotiva sobre caminhos-de-ferro e o barco a vapor. Verificava-se o crescimento das cidades onde se concentravam as fábricas. Era a grande oportunidade para o desenvolvimento do capitalismo no comércio mundial. Os artesãos cediam o lugar a uma classe proletária que laborava diariamente 12 a 14 horas em competição com o poder da máquina por um salário miserável. Explorava-se o trabalho feminino nos teares e o infame trabalho infantil nas minas de carvão. Na segunda metade do século XIX, os operários organizam-se em sindicatos e partidos para lutarem pela defesa dos seus direitos.

 

Do Artesanato à Produção Industrial - O que distingue a produção industrial da produção artesanal é, sobretudo, o seu carácter iterativo. Enquanto no modo de produção artesanal dificilmente se poderá encontrar uma peça exactamente igual a outra dentro da mesma série - o que torna cada peça um artefacto único - na produção industrial qualquer diferença na série é considerada um defeito.

 

Grandes Exposições Mundiais - A competição pela liderança económica no mercado mundial encontra nas grandes exposições universais a ocasião para as nações exibirem o seu poderio industrial e a sua capacidade de inovação. A primeira Exposição Mundial foi a de Londres, inaugurada em 1851 no Crystal Palace. Mais do que pelos produtos que lá se exibiam (o mau gosto criticado por Ruskin e Morris), foi pelo conceito do Palácio de Cristal que ela atingiu maior notoriedade. Patton, um construtor de estufas, concebeu para aqui uma extraordinária arquitectura de ferro e vidro que marcaria, a par das pontes, a engenharia do século XIX. Patton utilizou, pela primeira vez na história, estruturas pré-fabricadas que se montavam no local. Neste edifício de ferro e de vidro dissolvia-se a separação entre interior e exterior. O Palácio de Cristal do Porto, onde se realizou uma exposição internacional em 1865, era uma modesta resposta ao Crystal Palace de Londres e foi lamentavelmente demolido em 1952.

 

Engenharia do Ferro e do Vidro - Esta arquitectura e engenharia do ferro teve igualmente em Gustave Eiffel o seu génio, cuja obra mais famosa é a Torre Eiffel em Paris, ícone da Exposição Mundial que se realizou em 1889. Especialista das pontes de ferro, Eiffel foi o construtor da ponte D. Maria e foi também um seu discípulo "renegado" que construiu a ponte D. Luís, pontes que ligam Porto e Gaia. Refira-se a utilização do ferro nas estruturas dos edifícios da época. As gares ferroviárias são igualmente um bom exemplo de arquitectura e engenharia do ferro e do vidro como as das estações de S. Bento no Porto e Santa Apolónia em Lisboa.

 

O Problema da Forma - Os avanços tecnológicos verificados no século XIX, os novos meios de produção de então, não eram acompanhados de novos conceitos estéticos, parecia um século sem estilo, por defeito, todos os estilos históricos eram arbitrariamente misturados, a ornamentação excessiva era moda, os produtos de manufactura industrial tentavam imitar os produtos de manufactura artesanal, a classe média emergente tentava imitar o gosto da antiga aristocracia. A democratização do objecto anunciada pela Revolução Industrial abria o caminho a uma cultura da imitação que funda o gosto kitsch. Foi contra este estado da arte que pessoas como John Ruskin e William Morris ergueram a sua crítica.

 

Estandardização e Produção em Massa - O design da cadeira n.º 14 de Thonet (1859) seria uma referência europeia quanto a eficácia produtiva e comercial de um artefacto que não passava de moda. Venderam-se para cima de 30 milhões de exemplares, constituindo esta cadeira um modelo pioneiro dos princípios da estandardização da produção (outro famoso exemplo foi a pistola Colt). A estandardização consiste numa iterativa uniformização dos componentes (que poderão ser intermutáveis entre produtos) e do processo de produção em série. A Thonet deve-se o desenvolvimento da técnica de moldagem a vapor da madeira sólida.

 

Linha de Montagem - Um contributo importante na aceleração da era industrial seria dado pela introdução da linha de montagem na produção em massa (o fordismo) quando Henry Ford em 1913 produz o famoso Ford T, "o automóvel que podia ser feito com qualquer cor desde que fosse preto". O sistema da linha de montagem (inspirado na indústria carniceira), permitindo o aumento da produção, estimulava a sociedade de consumo. Com a taylorização da produção o operário passava definitivamente a ser mais uma peça na máquina industrial, métodos de produção que foram caricaturados no filme de Charlot "Tempos Modernos" e que só seriam ultrapassados na actualidade com a robotização da produção gerida por sistemas CIM (computer integrated manufacturing).

 

Taylorismo - F. W. Taylor desenvolveu e implementou o conceito de gestão do tempo de trabalho, notando que a produtividade era maior se as tarefas dos trabalhadores fossem divididas nas suas partes constitutivas e eliminando os desperdícios de tempo e de movimentos. Estes princípios de mecanização e automatismo do trabalho humano que ele considerava "científicos" estão descritos no seu livro "The Principles of Scientific Management" (1911).

 

 

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